Algumas dicas e pequenos macetes para escolher a bike certa para a prática do MTB.

Quero começar, mas não tenho ideia de que bike comprar. Como escolher?

Como escolher a bike certa para a prática do MTB?

Vou começar explicando o que é uma bike de MTB.
Essas bikes são as mais difundidas no Brasil por serem versáteis. São ideais para todos os tipos de terreno, estradas de asfalto ou de terra, trilhas por florestas e caminhos montanhosos, entre outros.
MTB é a sigla para Mountain Bike ou, simplesmente, bicicleta para montanha, em uma tradução livre. São ótimas bikes para quem deseja começar no esporte e se aventurar pelo ciclismo off-road, pois permitem vários ajustes ao biotipo do biker.
Funcionam muito bem para aquele ciclista iniciante que deseja ir com mais calma, mas quer começar a se aventurar, ou para os mais experientes que rodam longas distâncias. Há diversos tipos e modelos diferentes.
A modalidade de Mountain Bike exige muito esforço físico do praticante, além de técnica e algum conhecimento em mecânica e orientação por mapas.
Não é só comprar uma bike e sair pedalando por aí. É isso que vou mostrar para vocês em breve, aqui no blog.  

Tamanho das rodas no MTB

26''

Quase Obsoletas

Por anos foram usadas por muitos ciclistas. Eu também tive uma dessas, que uso até hoje. As bikes 26 estão cada vez mais difíceis de encontrar. O modelo é mais ágil nas arrancadas, mas tem seu desempenho mais lento em altas velocidades e a absorção de impactos é inferior.

27,5''

Meio Termo entre 26 e 29

O modelo 27,5' é o meio-termo entre as 26 e 29. Seu desempenho é superior aos modelos 26 e 29 em arrancadas, mas nas subidas se mantém positivamente. Mas em alguns quesitos não supera a 29, mas é um modelo que se vê muito na prática do downhill e freeride.

29''

Substituíram a Aro 26''

Esse modelo praticamente foi o substituto do aro 26, com uma diferença de 3 polegadas no tamanho da roda que pode trazer bons benefícios como alta absorção de impactos, melhor desempenho em velocidade. Em contrapartida, é mais lenta nas arrancadas.

MODALIDADES DO MOUNTAIN BIKE

No Mountain Bike (MTB) existem diversas categorias que podem ser classificadas como subdivisões do MTB. Essas subdivisões têm diferenças, como estilos, tipos de equipamentos, graus de dificuldade e terrenos, cada uma com sua própria característica.
Vou explicar mais detalhadamente para esclarecer qualquer dúvida... 

  • CROSS COUNTRY | XC |  -  Todo ciclista que usa uma bike para pedalar em estradas de terra, trilhas e que faz cicloturismo pode se enquadrar nessa categoria. Dentro do XC existem duas subdivisões: o XCM e o XCO. O primeiro XCM é o Cross Country Maratona, trajeto longo, geralmente de 30 a 60km, com apenas 1 volta. Exige mais físico do que técnica, pois envolve trilhas, subidas, descidas, estradas de terra.  Já o XCO é o famoso Cross Country Olímpico - um circuito onde o biker precisa dar mais de uma volta para cumprir o trajeto. É a modalidade oficial das provas de MTB como o Brasil Ride, por exemplo. Possui subidas e descidas muito técnicas e obstáculos, além de incluir terrenos de grama, pedregosos, terra, entre outros. Exige técnica e preparo físico do ciclista. 
  • Downhill - É a modalidade mais alucinante do MTB, na minha opinião. Em tradução livre, significa descida de montanha. Exige muita técnica do biker, pois as bikes usadas são as Full Suspensions, com suspensão nas rodas da frente e traseira. Sem dúvida, é a modalidade que mais exige itens de segurança do ciclista, como coletes, caneleiras, cotoveleiras e até colar cervical. Por essa rápida descrição, dá para perceber que é a mais louca, perigosa e radical do MTB, não?
  • Free Ride - Essa pode ser enquadrada em uma subdivisão do Downhill. Nesse tipo de trajeto, há descidas muito técnicas, rampas e obstáculos pelos quais o ciclista praticante precisa executar saltos e manobras.
  • Enduro MTB / All Mountain - Essa modalidade é praticamente uma junção do Downhill e do Cross Country. O participante precisa de muita técnica e bom preparo físico para encarar as descidas e subidas duras do trajeto.

BIKES

DIFERENÇA ENTRE HARDTAIL E FULL SUSPENSION

Existem dois tipos de bikes: as HARDTAIL e as FULL SUSPENSION, sendo que cada uma delas usa materiais variados em em sua fabricação.

HARDTAIL em tradução livre quer dizer cauda dura, ou seja, suspensão somente na dianteira da bike e o quadro é rígido, é uma bike que se adequa muito bem a qualquer tipo de terreno, estradas de asfalto, terra, trilhas, a suspensão dianteira facilita o controle da direção e na absorção dos impactos. É o tipo de bike mais difundido no meio do MTB, possuem muitas variações, com peças simples ou com peças mais sofisticadas.

As FULL SUSPENSION, por sua vez, são bikes mais caras, com suspensão na frente e traseira, como o nome já faz supor. Há uma grande discussão sobre o uso e desempenho das Full Suspension em relação ao modelo Hardtail. Na hora de decidir, leve em conta o preço e o que você espera fazer com sua bike.

TIPOS DE MATERIAL

- Quadro de Ferro -
São modelos mais antigos, praticamente em desuso. Era o mais usado para se fabricar bicicletas. Seu peso é maior do que o alumínio e o carbono. O principal ponto negativo era a oxidação, já que deixava os quadros vulneráveis a quebras e desgaste.

- Quadro de Alumínio -
É o tipo de material mais utilizado hoje em dia nos quadros de MTB. Tem baixo peso, ótima resistência, não oxida, sendo bem mais barato que os quadros de carbono.

- Quadro de Carbono -
Esse tipo de material oferece o menor peso para os quadros de MTB. Seu custo é alto, mas são mais bonitos e as emendas dos tubos são imperceptíveis.O investimento vale a pena porque são mais duráveis e resistentes.

COMPONENTES DE UMA MOUNTAIN BIKE

Seja qual for a modalidade, toda bike possui diversos componentes. São peças, acessórios, cabos, alavancas, câmbio, entre outras peças.
Todos os itens são praticamente indispensáveis e importantes para o bom funcionamento do conjunto. Na hora de escolher seu modelo, leve em conta a durabilidade, qualidade de cada componente e a provável manutenção (se será mais fácil e mais acessível). Essas questões são importantes, pois quando você está pedalando não dá pra prever ou pensar em como cada peça da bike irá se comportar ou funcionar.
Tentei listar os itens de uma bicicleta para explicar mais detalhadamente cada um. O principal deles é o quadro, que vai suportar todo o peso do ciclista e absorver o impacto. Escolha com cuidado, pois há tamanhos, formatos e pesos diferentes. As marcas mais famosas são: Specialized, Scott, Trek, Cannondale, BMC, Sense, Oggi e TSW, entre outras. 

O selim é um dos principais itens da bike. Não poderia ser diferente porque você vai ficar durante horas e muitos quilômetros em contato direto com ele. Por isso, escolher um selim adequado pode fazer toda a diferença entre sentir-se confortável ou terminar o percurso com lesões e dores.

O canote é a peça que junta o selim ao quadro da bike. Para cada biotipo de ciclista existe uma altura correta em que o canote deve ser fixado. Leve em consideração as medidas do seu corpo. Esse item também é tão importante que existe uma análise, chamada Bike Fit, que pode ser feita para você ter uma bike ergonômica.

O guidão é responsável por permitir ao ciclista o controle da bike. Fica fixado ao suporte, também conhecido como mesa. Existem vários tipos de mesas e guidões com tamanhos, curvaturas, alturas diferentes. Deve-se levar em conta o biotipo do ciclista na escolha desse item, pois tem relação com o conforto ao pedalar. As manoplas são onde o ciclista apoia as mãos e estão fixadas nas extremidades do guidão. Normalmente, os manetes de freio seguem o conjunto do sistema, seja Shimano, Magura, Sram ou outro. Os trocadores são as alavancas que acionam a troca de marchas da bike. Possuem diversas variações e são presos ao guidão, ao lado das manoplas. Também acompanham o conjunto de câmbio do sistema.

A suspensão é parte que absorve os impactos do solo. Pode ser somente dianteira, como nas Hardtail, ou na roda da frente e traseira, a exemplo da Full Suspension. Existem vários modelos com configurações diferentes. Existem modelos com mola e outros mais sofisticados, com trava no guidão e regulagem a ar. As marcas mais conhecidas são: Rock Shox, RST, Proshock e Manitou, entre outras.

O sistema de freios é primordial em uma bike. A maioria das bikes de MTB são montadas com sistema de freios a disco - que possuem uma frenagem mais suave e confiável. Esses sistemas podem ser hidráulicos ou mecânicos. O mecânico tem baixo custo e manutenção mais simples, mas é menos robusto e preciso nas frenagens. Já o hidráulico é mais caro, só que deixa o ciclista mais confiante e seguro. A manutenção é mais complicada e deve ser feita periodicamente com a troca do fluido de freio. Existem também o sistema de freios V-Break, mas esse quase não é mais usado nas MTB. Os principais modelos de freios são fabricados pela Shimano, Sram e Magura.

As rodas podem ter tamanhos diversos, partindo de 26 polegadas e 27,5. Atualmente, as mais comuns são de 29 polegadas. Os aros, na grande maioria, são feitos de alumínio e podem ser usados com câmara ou sem câmara (tubeless). As rodas podem ter mais ou menos raios, dependendo do modelo do aro. Seus principais fabricantes são: Mavic, Vzan, Shimano, Crank Brothers e Sram, entre outras.
Os cubos são responsáveis por suportar impactos e dar equilíbrio ao conjunto da roda. É lá que se encaixa a blocagem, usada para o aperto e ajuste da roda ao quadro. Existem várias marcas e modelos com preços diferentes no mercado, em geral, o cubo é do mesmo fabricante da roda.
Os pneus são responsáveis pela aderência da bike ao solo. Então, é outro item que merece atenção. Você deve saber o tamanho do aro para escolher o pneu correto. Observe também a largura do pneu, pois existem diversas medidas de largura e isso varia de ciclista para ciclista. Os mais usados são 2.2 e 2.4 polegadas. Existem diversos tipos de pneus, com desenhos variados que deixam a bike mais veloz e mais aderente ao solo. Há os que usam câmara de ar ou não precisam delas (tubeless). Nesse caso, usa-se um líquido selante dentro do pneu para vedação de pequenos furos sem vazar o ar. 

O pedal de clipe é outro item de contato constante do ciclista com a bike porque garante o envio da potência dele ao pedivela. É comum no MTB o uso desses pedais com sapatilhas, pois melhoram a pedalada, aumentando o desempenho e a eficiência. Aqui vale um conselho para os iniciantes: tentem ganhar experiência no MTB para depois usar os pedais de clipe.

Atualmente, os pedivelas podem contar com 1, 2 ou 3 coroas. Essas engrenagens são responsáveis por dar suporte à corrente. Transferem a energia do ciclista através da corrente ao cassete, girando a roda traseira. Existem diversos tipos e tamanhos de pedivela, além de tamanhos de coroas e hastes variados. Seu funcionamento é simples: a coroa menor é mais indicada para subidas e para trajetos de menor velocidade. A coroa maior é exatamente o oposto: mais velocidade e bom esforço físico.
No modelo de três coroas, há mais versatilidade na troca de marchas, mas a dinâmica é a mesma. 

O câmbio dianteiro é acionado por um trocador posicionado ao lado esquerdo do guidão. É responsável pela troca de marchas de uma coroa para outra em pedivela com duas ou três coroas. Usa-se os dedos indicador e polegar para fazer a troca de marchas, acionando o trocador com o polegar para uma pedalada mais pesada. O câmbio muda a corrente para a coroa maior e aciona o trocador com o indicador. Já o câmbio muda a corrente para a coroa menor tornando a pedalada mais leve.

A corrente é a ligação entre as engrenagens, coroa e cassete, responsável por transferir a energia aplicada na rotação do pedivela ao cassete movimentando as rodas da bike. Ela é composta por elos metálicos super-resistentes. Deve sempre ser lubrificada com líquidos específicos, como: Squirt, Finish Line e Algoo, entre outras marcas. A manutenção da corrente deve ser feita periodicamente. Em geral, a cada pedal deve ser limpa e lubrificada e a troca da corrente ser feita a cada 2000km ou, dependendo do tipo de pedalada do ciclista e do tipo de câmbio usado, esse tempo pode ser menor.

Esse câmbio é acionado por um trocador posicionado ao lado direito do guidão, sendo responsável por trocar a posição das correntes nas engrenagens do cassete. A troca de marchas se dá da mesma forma que o câmbio dianteiro: com o polegar. Isso torna a pedalada mais leve, elevando a corrente para as engrenagens maiores. Já o dedo indicador torna a pedalada mais pesada, pois traz a corrente para as engrenagens menores. Uma dica interessante é evitar fazer força quando está efetuando uma troca de marchas - seja com o câmbio dianteiro ou traseiro, pois isso reduz o desgaste, a quebra repentina e a desregulagem dos câmbios.

O cassete é o componente com maior número de engrenagens, sendo responsável por repassar a força atribuída à corrente diretamente para a roda traseira. Quanto menor a engrenagem, mais força o ciclista precisa fazer. O inverso também ocorre: quanto maior, menos força, combinando o número de coroas. A velocidade de marchas de uma bicicleta tem relação com o número de engrenagens do cassete. Por exemplo: em uma bike de 27 marchas, o conjunto seria de 3 coroas multiplicado por 9 engrenagens no cassete, sendo: 3 x 9 = 27 marchas. Existem diversos tipos de cassetes com velocidades variadas (8, 9, 10, 11, 12 velocidades), assim como coroas do pedivela compostas por 1, 2 ou 3 coroas.

COMO SABER O TAMANHO DA BIKE IDEAL PARA VOCÊ?

Assim como temos o tamanho das rodas mais adequado, também temos diversos tamanhos de quadros. O tamanho da roda não influencia na compra do quadro, pois são coisas distintas. Cada quadro tem uma medida adequada o tipo físico do ciclista.
Existe uma tabela que você pode consultar para fazer sua escolha. Basta saber sua altura para ver qual o tamanho de quadro necessário. É sempre bom prestar atenção a pequenos detalhes, pois podem fazer grande diferença na hora de comprar um quadro ou escolher algum componente da sua bicicleta.
Em síntese: depois de definir o que fará com a sua bike e pensar no modelo mais adequado, pensem em como viabilizar isso. 

Altura média de um ciclista x Tamanho do quadro de MTB 

Por exemplo, para uma pessoa com 1,85m de altura o quadro poderia ser de 19 ou 20 polegadas 

Veja a tabela ao lado

Usos diversos, adrenalina, esporte, lazer… o que você quer da sua bike?

Competições, trabalho ou lazer. Para cada finalidade, existe um tipo de bike distinto com componentes diferentes.
Existe um sistema muito interessante criado pela Fizik, fabricante de componentes de alto desempenho. Esse sistema chama-se Fizik Spine Concept e aponta qual é a flexibilidade de cada ciclista - seja amador ou profissional. Com esse sistema, é possível escolher diversos componentes e adequá-los ao biotipo de cada ciclista. Dá para escolher diversos tipos de componentes e saber quais se adequam melhor ao biker.
O ciclista também pode recorrer a profissionais especializados no Bike Fit para saber as medidas exatas e os tipos de componentes que melhor se encaixam em seu perfil. 

Depois de tudo isso...

escolher a MTB ficou mais fácil

Com todas essas informações, acho que agora será mais fácil você escolher o seu modelo de MTB e optar pela melhor relação custo x benefício.
Se ainda tiver dúvidas e para evitar gastos desnecessários, peça ajuda de algum especialista que pode ser um mecânico experiente ou um profissional de Bike Fit, por exemplo.
É importante saber também qual o propósito de ter uma bike. Se é para passear, trabalhar, fazer uma trilha leve, um pedal mais longo ou se vai pegar mais trechos de asfalto ou de terra. Esse tipo de questionamento também ajudará você a tomar a melhor decisão. Saber sua altura, o tamanho ideal da bike e preços também ajudam.
Bom pedal e sinta-se convidado a vir girar com a gente no nosso grupo Amparo Ride!

BORA GIRAR!

01.


OBJETIVO

Saber para que vai usar a bike, trilhas, passeios, uso urbano, em asfalto, terra ou competições, entre outras situações.

02.


TAMANHO

Saber sua altura e usar a tabela que já citei para ver qual o tamanho de quadro se encaixa melhor ao seu biotipo.

03.


FINANCEIRO

Saiba exatamente quanto quer gastar e lembre-se de que, às vezes, uma bike montada é mais vantajosa do que comprar as peças para montar uma.

04.


PERGUNTAR

Pergunte, faça orçamentos, pesquise preços de peças e componentes, pergunte a outros ciclistas sobre os equipamentos deles, desgaste, manutenção, sobre mecânicos de confiança e, se possível, converse com esse profissional também para esclarecer suas dúvidas.

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